30 anos de desenho! Um feito digno de comemoração!
- Rafael Sica

- 27 de mai.
- 2 min de leitura
Nos anos 90 era assim: você tinha uma pilha de desenhos e ficava mostrando para as pessoas com a esperança de um dia ganhar um elogio do tipo “você leva jeito”. O cenário era precário, com poucas referências, o desenho de um jovem de 16 anos era um desenho bruto. Internet tava recém fazendo ruído em linha de telefone e poucas pessoas tinham acesso. E era o meu caso, jovem morador da periferia pelotense imerso em um mundo completamente analógico.
A única saída para publicar era o impresso: jornais, revistas, panfletos etc. Eu desenhava muito e to falando de volume, mas não tinha ainda ideia clara de que isso poderia ser um trabalho. Já acompanhava os quadrinhos no jornal local e nas revistas e zines que eu ia pegando no sebo. Era nebulosa ainda a possibilidade de publicar algo, de multiplicar o meu desenho. Como um adolescente do interior profundo do Brasil criaria este tipo de expectativa? Pra mim parecia algo impossível.
Foi então lá em 1996 que o portal se abriu e eu entrei. Em uma de minhas visitas ao sindicato dos bancários de Pelotas, onde trabalhava a Giza (bancária, pensadora, gênia e companheira do meu pai há mais de 35 anos), recebi o primeiro convite. O sindicato publicava um jornal que circulava entre os bancários. “Dando o troco” era o nome do jornal, editado pelo jornalista Jairo Sanguiné. Eu lá, jovem espinhento com uma pasta cheia de desenhos, e o pessoal do sindicato lá, com uma ferramenta de comunicação potente e madura. Então veio o convite: Não quer ilustrar umas matérias aqui pro jornal do sindicato, desenhar um bancário estressado? Aceitei na hora, meio sem saber direito como fazer, e fiz o meu primeiro desenho para um veículo de comunicação. Dias depois, quando fui receber pelo desenho e pegar uns exemplares do jornal, vi aquela pilha de jornais com o meu desenho impresso. Ver o meu desenho impresso pela primeira vez foi um momento que jamais saiu da minha memória.
Desde então, jamais parei. Mesmo quando me coloco dúvidas, não paro. Aprendi durante estes 30 anos a jamais duvidar da sutil mistura de força e irrelevância que tem um desenho. E só aprendi essas coisas errando bastante. Muito mais no amadorismo do que profissionalismo, aos trancos e barrancos. Fico animado com a nova geração de artistas que desde cedo já encaram o desenho com profissionalismo. Como as coisas mudaram nestes 30 anos e que bom que mudaram.
Agradeço às pessoas que acompanham o meu trabalho durante esses anos todos. Pessoas que acreditam que eu “levo jeito”. Sem vocês, não faria o menor sentido ter chegado até aqui.
Rafael Sica, maio de 2026.





































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